História

A primitiva povoação de Meia Pataca, hoje cidade de Cataguases e sede do município do mesmo nome, foi fundada pelo françês Guido Tomaz Marlière, Coronel-comandante das Divisões Militares do Rio Doce, Diretor – Geral dos Índios e Inspetor da Estrada de Minas aos Campos e Goitacazes, em terreno doado pelo Sargento das ordenanças, Henrique José de Azevedo e por outros moradores do sítio, conhecido, então, por “Porto dos Diamantes”. O fato deu-se a 26 de maio de 1826, havendo no local 38 “fogos” (lares) de brancos e várias aldeias de índios coroados, coropós e puris. Sobre a denominação de “Porto dos Diamantes”, a mais antiga, admite-se tenha ela vindo do fato de, em 1809 ou 1810, ali terem aportado muitas dignidades eclesiásticas, atraídas pela fama de ser abundante a produção de diamantes no local, fenômeno, aliás, não confirmado.

Quanto ao outro topônimo, “Meia Pataca”,o Dicionário Geográfico do Brasil, de Moreira Pinto, afirma que, por volta de 1800, vários aventureiros, explorando a região Sudeste de Minas, acharam um “rio”, do qual extraíram meia pataca de ouro, dando ao curso d’água a denominação que, mais tarde, foi também adotada para a povoação erguida em sua margem. Os fatos confirmaram a existência de ouro num afluentes desse ribeirão, denominado córrego das Lavras. Pela Lei provincial nº 209, de 7 de abril de 1841, o novo arraial foi elevado à categoria de curato de Santa Rita do Meia Pataca e anexado à freguesia ou paróquia de São Januário de Ubá.

Nessa época, veio ali se estabelecer com sua família, em um latifúndio de 3 000 alqueires, o Major Joaquim Vieira da Silva Pinto. Em 1851, pela Lei provincial nº 534, de 10 de outubro, foi elevado o curato à categoria de freguesia, à qual enexaram-se os curatos de São Francisco de Assis do Capivara e Nossa Senhora da Conceição do Laranjal, os dois, insignificantes povoados, com benefícios eclesiásticos. Em 1871, pela Lei nº 2 180, de 25 de novembro, foi declarada em seu artigo 1º a criação do município, composto das Freguesias de Meia Pataca, Laranjal e Empoçado, desmembradas, respectivamente, dos municípios de Leopoldina, Santo Antônio do Muriaé e Ubá e mais a freguesia do Capivara, desmembrada do município de Muriaé. A sede do município seria o arraial “Meia Pataca”, que passaria a denominar-se Cataguases. O vocábulo “Cataguases” é indígena e sua tradução mais aceita é a de Diogo de Vasconcelos e Napoleão Reys, que o traduzem por “Gente Boa”, sendo sua forma original “catu-auá”. João Mendes traduz a palavra por “terra das lagoas tortas” e Nogueira Itagiba afirma que a tradução correta seria “povo que mora no país das matas”. O que é certo, no entanto, é que o vocábulo servia, originalmente, para denominar uma tribo indígena que, ao expirar o século XVII, vivia numa região e temor impunha ao branco invasor. Por isso ou por outras razões, todo o sertão aurífero foi, de começo, denominado sertão dos Catu-auá, ou como dizem os brancos, Cataguases, nome que se generalizou para todo o sertão ao norte da Mantiqueira, sem limites apontados, para o interior do continente. Esta denominação, que foi a primeira usada, de modo genérico para o território de toda a Minas Gerais, persistiu até 1721, quando se deu a nomeação do primeiro Governador do território.

D. Lourenço de Almeida, figurando já, então, a denominação de Capitania das Minas Gerais. No entanto, a escolha do nome Cataguases para a antiga povoação do Meia Pataca deveu-se exclusivamente a uma razão sentimental, ditada por José Vieira, filho do Major Joaquim da Silva Pinto, a cujos esforços o local devia os maiores impulsos ao seu progresso; realmente, quando o Major Joaquim Vieira aportara com sua família no latifúndio, seu filho José Vieira, que nascera na fazenda do Bom Retiro, a 20 de agosto de 1829, contava aproximadamente 13 anos; quando da criação do município, o evento deu-se quase que exclusivamente por exemplo e prestígio deste então Coronel José Vieira que sugeriu e batalhou pelo nome de Cataguases , a mesma denominação de um riacho que banhava a fazenda do Bom Retiro, onde passara ele sua meninice, antes de vir para o latifúndio do Meia Pataca.

GUIDO TOMAZ MARLIÈRE – Justifica-se, aqui, um parêntese para duas palavras sobre o vulto ímpar de Guido Tomaz Marlière, o primeiro desbravador da região onde hoje se ergue Cataguases, pela importância que teve ele na história daqueles tempos. Era francês e chegou a Ouro Prêto, então Capital da Capitania, em 1811, sendo logo agregado com o posto de Tenente e graduação de Capitão ao Regime de Cavalaria de Minas Gerais. Depois de ter sido até preso, por suspeição de estar praticando espionagem para as forças bonapartistas, prova sua inocência e, 13 anos após, chega a tenente-Coronel das Divisões do Rio Doce, nomeado por Decreto imperial Comandante daquelas Divisões e Encarregado da Civilização e Catequese dos Índios, passando, no mesmo posto de Tenente-coronel, ao Estado-Maior do Exército. Não foram, contudo, tantos postos e distinções o que lhe marcou um lugar no coração dos mineiros daquela e das épocas posteriores, e lhe valeu o título de “apóstolo das selvas mineiras”, mas sim, sua atividade pacificadora. Realmente, a par de uma atividade para o desenvolvimento da região sob seu comando para o convívio dos civilizados um sem-número de indígenas, mercê de um tratamento humanitário e paternal, desconhecidos naqueles idos. Guido Tomaz Marlière é nome integrado definitivamente na história mineira, através de publicações inúmeras, tais como várias monografias e longos trabalhos de Revistas do Arquivo Público Mineiro e através de uma toponímica que o relembra e homenageia, tais as denominações de Guidoval, Peteradorf e outros. Guido foi, ao que consagra a tradição, o primeiro encarregado da cataquese a se negar ao uso da violência contra o gentio, mandando dizer ao Governo, quando este lhe exigia ação, que dispensava as balas de chumbo, pois preferia usar balas de víveres contra os infelizes. Morreu pobre e injustiçado pelos poderes da monarquia, na fazenda da Serra da Onça, no atual município de Guidoval. Suas cinzas achavam-se recolhidas num monumento erguido na divisa daquele município com o de Astolfo Dutra e erigido pelos governos dos municípios de Ubá e de Cataguases. Gentílico: cataguasense Formação Administrativa Distrito criado, com a denominação de Santa Rita de Meia Pataca, pela lei n.° 534, de 10-10- 1851, e lei estadual nº 2 , de 14-09-1891.

Elevado à categoria de vila com a denominação de Cataguazes, pela lei da Assembléia mineira nº 2180, de 25-11-1875, desmembrado dos municípios de Leopoldina, Muriaé (ex-São Paulo do Muriaé) e Ubá. Sede no distrito de Santa Rita de Meia Pataca. Aparece constituído de 3 distritos: Cataguazes, Santo Antônio do Muriaé e Espírito Santo do Empossado este ultimo desmembrado de Leopoldina. Instalado em 08-09-1877. Elevada à categoria de cidade com a denominação de Cataguazes, pela lei provincial n.° 2 766. de 13-09-1881. Pela lei provincial nº 3442, de 28-09-1887, e lei estadual nº 2, de 14-09-1891, é criado o distrito de Santana de Cataguazes e anexado ao município de Cataguaszs. Pela lei provincial nº 3589, de 28-08-1888, Cataguazes adquiriu do município de Pomba o distrito de Porto de Santo Antônio. Pelo decreto estadual nº 150, de 21-07-1890, e lei estadual nº 2, de 14-09-1891, é criado o distrito de Vista Alegre e anexado ao município de Cataguazes. E, ainda pelo mesmo decreto estadual acima citado o distrito de Santo Antônio do Muriaé tomou o nome de Miriaí. Pelo decreto estadual nº 374, de 13-02-1891, Cataguazes adquiriu do município de Leopoldina o distrito de Laranjal. Pelo decreto estadual nº 405, de 06-03-1891, e lei estadual nº 2 de 07-09-1891, é criado o distrito de Itamarati e anexado ao município de Cataguazes.

Pela lei municipal nº 32, de 31-10-1894, o distrito de Espírito Santo do Empossado tomou o nome de Cataguarino. Pela lei municipal nº 168, de 15-04-1903, lei estadual nº 556, de 30-08-1911, é criado o distrito de Sereno e anexado ao município de Cataguazes. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município compõe-se de 9 distritos: Cataguazes, Cataguarino (ex-Espírito Santo do Empossado), Itamarati, Laranjal, Mirai (ex-Santo Antônio de Muriaé), Porto de Santo Antônio, Santana de Cataguazes, Sereno e Vista Alegre. Assim permanecendo nos quadros de apuração do recenseamento geral de 1-IX-1920. Pela lei estadual n.° 843, de 07-09-1923, desmembra do município de Cataguazes o distrito de Mirai. Elevado á categoria de município. E, ainda pela mesma lei estadual acima citado é criado o distrito de Astolfo Dutra, com terras desmembra do distrito de Mirai e anexado ao município de Cataguazes.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de 9 distritos: Cataguazes, Astolfo Dutra, Cataguarino, Itamarati, Laranjal, Porto de Santo Antônio, Santana de Cataguazes, Sereno e Vista Alegre. Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937. Pelo decreto-lei n.° 148, de 17-12-1938, desmembra do município de Cataguazes os distritos de Astolfo Dutra (ex-Santo Antônio) e Dona Eusébia (ex-Astolfo Dutra), para formar o novo município com a denominação de Astolfo Dutra e o distrito de Laranjal. Elevado á categoria de município. No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de 6 distritos: Cataguazes, Cataguarino, Itamarati, Santana de Cataguazes, Sereno e Vista Alegre. Pela lei estadual nº 336, de 27-12-1948, o município de Cataguazes teve sua grafia alterada para Cataguases. Em divisão territorial datada de 1-VII-1950, o município é constituído de 6 distritos: Cataguases (ex-cataguazes), Cataguarino, Itamarati, Santana do Cataguases, Sereno e Vista Alegre. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1960. Pela lei estadual nº 2764 de 30-12-1962, desmembra do município de Cataguases os distritos de coma denominação de Santana de Cataguases e Itamarati de Minas (ex-Itamarati). Elevando à categoria de municípios. Em divisão territorial datada de 31-XII-1963, o município é constituído de 4 distritos: Cataguases (ex-cataguazes), Cataguarino, Sereno e Vista Alegre.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-I-1979. Pela lei estadual nº 8285, de 08-10-1982, é criado o distrito de Aracati de Minas ex-povoado, criado com terras desmembrada do distrito de Vista Alegre e anexado ao município de Cataguases.. Em divisão territorial datada de 1991, o município é constituído de 5 distritos: Cataguases Aracati de Minas, Cataguarino, Sereno e Vista Alegre. Pela lei municipal nº 2199, de 25-08-1993, é criado o distrito de Glória de Cataguases e anexado ao município de Cataguases. Em divisão territorial datada de 1995, o município é constituído de 6 distritos: Cataguases Aracati de Minas, Cataguarino, Glória de Catguases, Sereno e Vista Alegre. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007. Alteração toponímica distrital Santa Rita de Meia Pataca para Cataguases, alterado pela lei da assembléia mineira nº 2180, de 25- 11-1875.

 
Fonte: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros – Volume XXIV ano 1958.